A tentativa de homicídio em supermercado virou alvo de denúncia do Ministério Público do Estado de São Paulo. O policial penal Gilson Júnior dos Santos foi acusado de tentar matar Johnny da Silva Sarmento dentro de um estabelecimento no bairro Palmital, na zona norte de Marília. O crime ocorreu em 15 de novembro de 2025.
De acordo com o MP, os dois se encontraram por volta das 19h em um corredor do mercado localizado na avenida República. Testemunhas relataram que eles, vizinhos, acumulavam conflitos antigos, o que intensificou o clima de tensão. Ainda segundo a denúncia, Gilson iniciou uma discussão e, logo depois, sacou uma pistola 9 mm, arma de uso restrito.
Policial penal teria disparado várias vezes após discutir com o vizinho
Mesmo com a tentativa de intervenção de um segurança, o policial penal teria apontado a arma para Johnny e disparado diversas vezes. Três tiros atingiram a vítima, dois deles no abdome, região classificada como letal. Imagens de câmeras de segurança mostram clientes e funcionários correndo para se proteger, o que, segundo o promotor André Ferraz de Assis Pinto, comprova o risco coletivo provocado pelos disparos.
O MP afirma que, após a queda da vítima, Gilson ainda a chutou repetidas vezes antes de sair do local no veículo que usou para chegar ao supermercado. Johnny foi socorrido ao Hospital das Clínicas e passou por cirurgia. O atendimento rápido impediu que o caso evoluísse para homicídio consumado.
O Ministério Público enquadrou o crime como tentativa de homicídio qualificado por quatro fatores: motivo fútil, pela desproporção do desentendimento; perigo comum, pelos tiros em ambiente cheio; recurso que dificultou a defesa da vítima, surpreendida pelo agressor; e uso de arma de fogo de uso restrito. A Promotoria também pediu a fixação de valor mínimo para reparação de danos e o pagamento de custas processuais.
A denúncia destaca que Gilson Júnior dos Santos não foi encontrado para responder às acusações. Há um mandado de prisão preventiva em aberto, e as diligências ainda não tiveram resultado. Por isso, o MP solicitou que o processo avance com designação de audiência presencial enquanto aguarda a captura. O documento foi protocolado em 1º de dezembro de 2025 e seguirá para análise do Judiciário, que decidirá se transforma o acusado em réu.
O que diz a defesa
A defesa, no entanto, sustenta outra versão. Em nota anterior, o advogado Jader Gaudêncio Filho afirmou que o caso não configura tentativa de homicídio motivada por futilidade, alegando que Johnny teria ameaçado Gilson diversas vezes. Ele citou um boletim de ocorrência por ameaça e vídeos que mostrariam a vítima manuseando um facão. O defensor afirma ainda que Gilson, policial penal há 12 anos, não possui histórico criminal, entregou a arma para perícia e pretende se apresentar para prestar esclarecimentos.







